FEEDBACK – COMO, ONDE E PORQUE?

Durante uma sessão de feedback de uma das observações de aula feita pelo departamento acadêmico de uma das escolas em que trabalhei, fui bombardeada pelo observador com perguntas do tipo:
“Porque agrupou os alunos dessa maneira? ”
“Porque tomou essa decisão durante essa atividade? ”
“Porque escolheu essa atividade para essa turma? ”
“O que levou você a corrigir tal aluno de tal maneira? ”.
A resposta que dei para todas as perguntas foi que eu achava que assim eles aprenderiam melhor. E aí, veio a pergunta que mudou tudo:
“E por que você acha que eles aprendem melhor assim? Me dê evidências disso”.
PRONTO! Eu não sabia necessariamente explicar tudo aquilo, e confesso que pensei que muitas daquelas coisas não tinham como ser explicadas. Ao fim dessa sessão de feedback, meu mentor disse que fiz muita coisa certa, por puro extinto, mas que precisaria saber o que tem por trás dessas decisões, que precisaria entender o porquê de cada decisão, e me recomendou fazer o CELTA. E foi, assim, que o meu mundo se abriu.
E foi exatamente isso que aconteceu; o CELTA, obviamente, me trouxe conhecimento suficiente para embasar cada decisão de cada aula que preparei. Isso tudo através de muita prática, muita leitura, muito estudo e muito FEEDBACK, e é nesse ponto que quero chegar. Claro! Todas as lições que aprendi no CELTA foram valiosas, mas um destaque especial, para mim, foi o FEEDBACK e o poder transformador que ele tem.
FEEDBACK é algo que se aprende tanto a dar quanto a receber, e digo isso não apenas no mundo professor-aluno ou aluno-professor, mas como uma lição de vida. Não é algo muito simples de se fazer. Dar feedback não é apenas apontar as coisas boas ou ruins de determinada situação, assim como receber feedback não é sentar e esperar que te digam o que fez e como fazer melhor.
Feedback é muito além disso, tem a ver com REFLEXÃO DE PRÁTICA. O seu momento de feedback começa quando você, ao terminar uma aula, reflete sobre o que deu certo, errado e o porquê disso ter acontecido. Ao sentar e discutir sobre essa aula com a(s) pessoas(s) que a observaram, é preciso antes ter tido um momento de reflexão sobre a sua prática. Então, vamos entender melhor como receber e dar um bom feedback:
AO DAR UM FEEDBACK
Tenha em mãos evidências de tudo o que vai apontar, frases que foram ditas por alunos ou pelo professor e em quais momentos foram ditas. Desta maneira, não haverá a possibilidade de virar uma “opinião” e sim fatos que corroboram o sucesso ou não da aula. De maneira nenhuma diga que “gostou de” ou que “achou legal” qualquer coisa que o seu colega tenha feito em aula, durante uma sessão de feedback. Lembre-se sempre (novamente) que feedback é uma questão de FATOS, e não OPINIOES.
Antes de começar a apontar qualquer coisa que tenha acontecido, positiva ou não, em uma aula, é importante que você faça perguntas. Isso ajuda de uma maneira melhor o seu colega a refletir sobre a prática dele. Essas perguntas geram reflexões e as reflexões, na maior parte das vezes, trazem respostas, fazendo, assim, com que você não precise apontar erros ou acertos – tudo vem da reflexão e das perguntas certas.
Prepare-se para dar o feedback. Saiba que nem todas as pessoas estarão abertas para reflexão, ou que terão dificuldade em fazê-lo. Nesse caso é importante que você esteja preparado para enfrentar resistência, já que muitas pessoas acham que feedback é uma critica, mas isso é porque elas não têm o costume dessa prática. Seja sempre gentil, calmo e se atente às evidências, sempre, pois as evidências não mentem.
Ajude a pessoa a pensar (em caso de uma prática não muito bem feita!), como ela a faria diferente, levando em consideração toda a reflexão durante a sessão. É importante que se chegue a um consenso de como a prática poderia ter sido diferente e o porquê. Afinal, esse é o objetivo do feedback, MUDANÇA, e não apenas apontar erros e acertos.
AO RECEBER FEEDBACK
Reflita muito sobre sua prática e tente buscar em sua memória evidências e exemplos das decisões que tomou e das reações dos alunos. Isso ajuda você a entender melhor o caminho
Esteja sempre ABERTO. NUNCA É PESSOAL. Quem dá um bom feedback se baseia (como dito antes) em evidências. Não há espaço para críticas, e sim reflexões. Tente não ficar na defensiva, se justificando sobre algo que fez que não tenha saído tão bem. Reflita sobre o porquê de não ter dado certo e, junto com seu tutor, achem o que poderia ter sido feito para tornar sua prática ainda melhor.
Muitas vezes o feedback pode ter muito mais partes ruins do que boas. Não ache isso negativo. O que se aprende errando é muito valioso, pois ajuda a criar memória e faz com que você fique menos suscetível ao mesmo erro.
Leia muito sobre teaching. Existe uma vasta lista de livros ótimos para ajudá-lo a tirar algumas dúvidas. Eles também ajudam na reflexão da prática. Além de livros, você pode encontrar blogs, sites, páginas e muitas coisas boas com dicas legais.
Tenha uma boa convivência com os outros professores onde trabalha. A troca é fundamental para o sucesso de todos. Não espere que alguém te DÊ um feedback, sempre que possível PEÇA feedback.
Ao longo de minha carreira, eu fui observada incontáveis vezes, muitos dos meus colegas não gostavam muito de serem observados pois achavam que estavam sendo julgados, mas a verdade é que muitas vezes quem está de fora enxerga muito melhor o que estamos fazendo, e é por isso que feedback é algo tão importante. Você pode sempre pedir para um colega observá-lo com algum foco que tenha dificuldade e depois podem ter uma sessão de feedback saudável e cheia de aprendizado e muitas vezes surpresas, com coisas que você mesmo não enxergava na sua prática.Agora esqueça o contexto PROFESSOR/AULA, e pense em qualquer outro contexto. Leia o texto de novo pensando em outro contexto que quiser (relacionamento, trabalho, família, amigos etc.). Essas dicas também servem para qualquer contexto, pois feedback deveria estar presente em todos os contextos, sempre com o objetivo de melhorar e te fazer não apenas um profissional melhor, mas uma PESSOA melhor!Feedback é um assunto vasto a ser explorado, e aqui deixo apenas umas dicas básicas de como ter mais sucesso. Fiquem ligados na EnglishON porque em 2018 traremos cursos voltados aos professores de inglês. Em breve, abriremos uma sessão especial sobre feedback onde o tema será abordado de maneira mais abrangente e prática.

Imagem: Pixabay

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Thais Giometti
Sobre o Autor

Colaboradora do blog da EnglishON. Amante da língua Inglesa e professora há 16 anos, Thaís tem certificação internacional pela Universidade de Cambridge (CELTA) e pela universidade Anaheim na Califórnia, Certificada com BULLATS 5, além de quatro anos de experiência internacional (Londres), como professora. Trabalhou nas principais escolas do país como CNA e Cultura inglesa e também já atuou como coach e mentor de professores, além de participar ativamente no processo seletivo de novos professores.